LÍNGUA PORTUGUESA| Professor Fernando Marques




  
“Posso ajudar?”

Os péssimos vendedores, representantes das lojas administradas por pessoas incompetentes, por desconhecerem as técnicas de retórica, costumam irritar clientes perguntando: “Posso ajudar?”
Posso ajudar é tradução imprópria do jargão das atendentes americanas (“May I help you?”). Esta pergunta inadequada foi disseminada pelo Brasil, evidenciando o despreparo de quem a utiliza, principalmente por afastar clientes que poderiam se transformar em fregueses.
Outras expressões equivocadamente traduzidas da língua inglesas, derivaram as abomináveis formas de gerundismo que contaminam o sistema de telemarketing do País. Exemplos:
Vamos estar providenciando...
Vamos estar enviando...
Vamos estar examinando...

Em uma determinada empresa, quando uma vítima pôs o pé à porta, um simplório vendedor a atormentou perguntando:
- Posso ajudar?
- Pode. Veja se estou na esquina e fique por lá enquanto eu faço a minha compra, sendo atendida por um vendedor mais qualificado.
Há quem responda de forma educada, embora se mantenha ansiosa para replicar: 
- Claro. Troque a fralda do meu filho; leve o meu cachorro para passear; pague a compra que farei nesta loja; desapareça da minha frente; qualifique-se para exercer a sua profissão e volte; vá perturbar o gerente; fique de boca fechada, por favor!

Atenda apresentando-se. Exemplo:
Bom dia! Sou Ana Paula e posso mostrar-lhe excelentes...!

O vendedor competente oferece cintos, meias e outros produtos, depois que o cliente escolhe os sapatos que foi comprar. À pessoa que adquiriu sapatos pretos, oferece também sapatos marrons; àquela que comprou calças, oferece camisas e, se possível, todos os produtos da empresa, mostrando-se sempre disposto a fazer uma boa venda.
Se a diretoria da empresa ou da instituição não for adepta da criatividade e quiser manter a desgastada e inconveniente frase “Posso ajudar?”, poderá mandar imprimir nas camisetas ou nos coletes dos funcionários ou dos servidores, a frase na forma afirmativa: “Posso ajudar!”  


                 ·      Aceitar responsabilidades e esquecê-las;

·      Manifestar-se aguardando ou exigindo regalias e privilégios;
·      Alterar a voz diante de crianças, idosos, enfermos ou desconhecidos;
·      Contar vantagens financeiras, amorosas ou circunstanciais;
·      Contar vantagens sob a desculpa de que se sente melhor do que as demais pessoas;
·      Convidar amigos para almoço ou jantar e se esquecer da data e do horário;
·      Demorar-se conversando mais do que o necessário no escritório ou na residência de alguém;
·      Usar as palavras ou os gestos para evidenciar menosprezo aos adversários e endeusamento aos pseudos-líderes;
·      Discutir sem raciocinar;
·      Dizer palavrões, ainda que, supostamente, estejam em moda;
·      Dramatizar as circunstâncias adversas;
·      Exibir cultura ou competência no momento inadequado;
·      Exigir, esquecendo-se das frases “por favor”, “muito obrigado”, ou “muito obrigada”, “perdoe-me”, “reconheço que errei”, “desculpe-me”, “sei que lhe causei mágoas e transtornos irreparáveis”, “quando precisar, conte comigo”;
·      Expressar-se aos gritos;
·      Fazer perguntas inoportunas e desnecessárias;
·      Eologiar, criticar ou e fazer ligações fora de hora;
·      Irritar-se por motivo irrelevante;
·      Limpar os dentes enquanto dialoga;
·      Falar com a boca cheia de alimento;
·      Sair da mesa com palito dental na boca;
·      Manter segredos e conversar particulares em detrimento da boa convivência do casal ou da família;
·      Firmar e não honrar compromisso;
·      Falar mal de quem não está no local para se defender;
·      Cometer o crime de alienação parental.   



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